Escrito por Sandra Corte Real
Membro-fundadora do Portal NDEV Brasil
(Contribuição de Renato Coltro)

 

Nos últimos três anos, em função da forte crise política e econômica que se instalou no Brasil, houve, de fato, uma desaceleração no consumo.

Consequentemente, isso se refletiu na abertura dos Hipervarejos (lojas de grande superfície), porém, no último trimestre de 2018, a economia começou a dar sinais de recuperação, o que anima o mercado, principalmente de consumo.

Em 2016, o IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo) registrou um recorde negativo histórico em abril. A queda foi de 10,9% nas vendas.

No ano seguinte, porém, após 20 meses de queda, o IAV-IDV projetou uma leve alta nas vendas em janeiro e fevereiro.

Em 2018,  o segmento de bens não duráveis, que responde, em sua maior parte, pelas vendas de super e hipermercados, foodservice, drogarias e perfumaria, apresentou queda real de 3,6% das vendas realizadas em novembro na comparação anual.

As projeções nas vendas sinalizaram, em dezembro, uma queda real de 4,5%, crescimento de 2,11% em janeiro de 2017 e, novamente, queda de 0,9% em fevereiro.

Vale lembrar que o setor de alimentação dentro do lar sente muito a pressão do aumento da inflação, com uma elevação média de preços de 1,6% no mês de novembro (acumulado 12 meses). Já o segmento como um todo fechou, no mesmo período, com uma inflação de 13,4%.

Como ficou o volume de vendas do comércio varejista por grupos de atividade

* Série com ajuste sazonal. Obs.: O comércio varejista é composto pelas atividades numeradas de 1 a 8. O comércio varejista ampliado é composto pelas atividades numeradas de 1 a 10. Fonte: IBGE. Adaptação: NE&PE/GS&MD – Gouvêa de Souza.

 

Um dos fatos que marcaram o varejo em 2018, principalmente dos Hipervarejos,foi a venda de 80% da operação Brasil do Walmartao fundo de private equity Advent.

Embora a operação do Walmart Brasil, aos olhos do antigo acionista, não fosse mais interessante, a Advent acreditou no mercado brasileiro e investiu maciçamente nesta aquisição.

Uma das principais ações foi contratar um novo corpo diretivo, sob comando de Luiz Fazzio, grande conhecedor de operações de varejo de grande superfície e um dos protagonistas na grande recuperação da operação Carrefour Brasil há alguns anos.

Além disso, vários grupos varejistas deram continuidade a seu desenvolvimento, expandindo suas operações, mesmo que não exponencialmente.

A Leroy Merlin, por exemplo, inaugurou a maior loja da América Latina com mais de 17.000 m2 de área de vendas, o Grupo Pereira – atuante principalmente na região Centro-Oeste do País – deu continuidade à expansão de sua rede Forte Atacadista e Comper, abrindo várias lojas, todas elas de grande superfície.

Deixando 2018 para trás, podemos considerar que 2019 começou com bastante otimismo. Isso já foi percebido por outros colunistas, que publicaram suas visões no portal NDEV.

Sabemos que há uma grande demanda represada em todos os setores da economia e certamente isto contribuirá para o aquecimento e aceleração do varejo, inclusive das lojas de grande superfície (Hipervarejo).

Isso se dará em função do aquecimento da economia, queda do desemprego e estabilização dos juros (SELIC), projetado para 7,75% em 2019.

Resumidamente, estima-se que em 2019 haverá uma grande retomada do consumo e, consequentemente, do varejo. Há perspectivas de continuidade na expansão de Hipervarejos – não mais no modelo tradicional (massificação de produto), porém com mais experimentação, entretenimento e serviços.

Olhando pelo viés dos acionistas, as grandes lojas (Hipervarejo) estão atualmente servindo não só de ponto de venda, mas também como “apoio” às operações online.

Como geralmente essas lojas estão nos grandes centros e com bom posicionamento, são capazes de realizar a entrega em domicílio ou permitir a retirada imediata dos produtos, permitindo que os produtos sejam disponibilizados aos clientes de forma rápida e economicamente mais vantajosa (custo de frete reduzido).

 

 

 

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Sandra Corte Real
Real Estate manager na Leroy Merlin, atuou em empresas como Companhia Brasileira de Bricolagem-ADEO, Carrefour, Atacadão (Grupo Carrefour), Grupo WTorre, Sastre Assessoria e Projetos LTDA. Tem experiência em Expansão, Projetos, Obras e Administração de projetos nacionais e internacionais em diferentes culturas. Foco na proposta e adesão a projetos inovadores e autossustentáveis. Formada em Engenharia Civil – Univ. Est. de Londrina/PR e Univ. do Oeste Paulista (UNOESTE) Pres. Prud./SP / Gestão de obras em grandes superfícies (varejo) embasada na área econômica em Bruxelas, na Bélgica, na Solvay Brussels School Economics & Management) / Mestrado em Finanças Corporativas - PUC – RJ / MBA em Planejamento e Gestão Organizacional (Universidad Autónoma de Madrid) / Project Manager (Fundação Vanzolini-USP/SP).

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