Por Renata Rouchou
Diretora de Expansão da Casa Baudduco

Recentemente, temos visto um enorme movimento no segmento de cafés no mundo, seja em:

– Fusões/aquisições/parcerias;

– Expansão de redes de cafeterias;

– Nova forma de consumir café (gelado e cold brew);

– Inovação em tecnologias nas cafeterias.

 

No que diz respeito a esses itens podemos citar algumas movimentações importantes, tais como:

– A Nestlé comprou 68% de participação na Blue Bottle Coffee por US$ 425 milhões em setembro de 2017. A rede é especializada e possui menos de 50 lojas. A compra ocorre em meio à consolidação do chamado setor de café de 3ª. Onda dos Estados Unidos. A Nestlé comprou a divisão de itens de supermercados da Starbucks e vai iniciar a venda destes produtos nas gôndolas inclusive no Brasil.

– A Coca Cola adquiriu a rede de cafés britânica por US$ 5,1 bilhões. A Costa Cafés tem cerca de 4.000 lojas em 32 países e vende cafés em mercados e lojas de conveniência. (Agosto/2018). A Coca já é dona da The Georgia Coffee Company no Japão, vendendo produtos prontos enlatados a base de café.

– Luckin Coffee – Fundada em 2017, a empresa já possuía 660 lojas na China e chegará a 2.000 pontos neste ano, para concorrer com a Starbucks. A empresa captou US$ 200 milhões com o Fundo Soberano de Singapura (GIC) e tem a estratégia de vender produtos 30% mais baratos, além de receber pedidos pela internet, com Pick & Collect na loja mais próxima à sua residência ou trabalho. Em parceria com o grupo Tencent, desenvolveu serviços no WeChat, similar ao Whatsapp, mas que também realiza pagamentos online e delivery.

– Starbucks – rede com mais de 22.000 lojas pelo mundo, tem o objetivo de abrir uma loja a cada 15 horas na China e dobrar de tamanho no mercado chinês até 2022. Fechou parceria com a gigante chinesa Alibaba para entrega de produtos (plataforma Taobao).

Ela já está na China há 20 anos e detém mais de 59% de participação de vendas no mercado de cafeterias do país (Fonte: Euromonitor). Também fechou acordo com a empresa Ele.me para delivery e já tem 2.000 lojas fazendo entrega desta forma.

Inaugurou as lojas Reserve Roastery em Seattle, Xangai, Milão e Nova York, com projetos para expandir. Seu objetivo é criar uma experiência diferenciada e uma viagem pelo mundo do café, com torrefação dentro da loja, bar de coquetéis, champagnes, padaria, pizza e etc. São lojas-destino com mais de 2.000 m2 que qualificam a marca upscale.

O mercado chinês, com origem consumidora de chá, vem se transformando em um mercado de café. O consumo per capitaanual é de 3 xicaras/ano, enquanto no Reino Unido é de 250/ano e, nos Estados Unidos, corresponde a 363/ano. O potencial de crescimento é gigantesco e as vendas em cafeterias cresceram 236% entre 2012 e 2017, por isso as redes disputam o mercado, que pode chegar a 6,46 bilhões até 2022 (fonte: Revista Exame). Atualmente, são em torno de 9.000 cafeterias especializadas.

– Tim Hortons – rede canadense, hoje com investimento do Fundo 3G dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, com meta de abrir 1.500 lojas na China em dez anos.

– Dunkin Donuts – muda de nome para “brigar” com as cafeterias no mercado americano. (Revista Exame set/18). A partir de janeiro de 2019, será apenas Donkin e suas 12.600 lojas terão bebidas para viagem, pedidos on-the-go, cold brew coffee, nitro coffee e pedidos pelo celular com pick & collect.

Falando um pouco mais em inovação, as cafeterias têm explorado novas formas de consumir café, sendo café gelado e cold brew coffee as maiores tendências no segmento.

O cold brew coffee é um café extraído com água fria, em um processo de 12 a 18 horas, que gera um produto a base de café com menos acidez e menos amargo. Ideal para o preparo de bebidas e drinks.

Já na área de tecnologia, muitas redes já fazem delivery, pedidos pelo celular, pick & collect, programas de pontos Rewards, mas é importante observar que não caminharam para um desenvolvimento de tecnologia própria, e sim com parcerias com empresas de TI. Agora, a Starbucks quer oferecer menus com realidade virtual!

No Brasil, segundo a ABIC (Associação Brasileira de Indústria de Café), houve um crescimento de 19% no mercado de cafés gourmets em 2018. Entre grãos, café torrado, moído e cápsulas, ocorreu a venda aproximada de 705.000 sacas e R$ 2,6 bilhões – resultado 23% superior a 2017.

Conforme relatório do Euromomitor, o brasileiro está tomando cada vez mais o café especial. A pesquisa também identificou um número de cafeterias no Brasil, em torno de 3.500, sendo que as redes correspondem a 34% e as independentes 66%. (Nos Estados Unidos, só a Starbucks tem 66% do total das cafeterias.)

Além das redes tradicionais citadas na tabela existem outras redes conhecidas, regionais ou novos players despontando e fazendo também o papel de cafeterias. Para citar algumas:  Casa Bauducco (56), Santo Grão (6), Café Cultura (11), Delta Espresso (65), São Brás (37) Octávio Café, Suplicy Cafés Especiais, Benjamin Padaria (52), Havanna (57), Ofner (27), Califórnia Café (40), B.Lém (16), Sterna Café (32), Café do Ponto (58), Café Pilão (17), Café Donuts (73), Manteigaria e etc…

Top 10 redes de cafeterias no Brasil (quantidade)  
Cacau Show 2232
Brasil Cacau 380
Kopenhagen 360
Rei do Mate 300
Casa do Pão de Queijo 254
Grão Espresso 243
Fran’s Café 122
Starbucks 106
McCafé 95
Mr Cheney 80

Fonte: Portal do franchising ABF/Site das marcas

Há muito espaço para aumentar o crescimento das cafeterias no Brasil, não só pelo aumento do consumo dos cafés especiais, mas também pelo hábito de ir a cafés para reuniões e para trabalhar.

 

Além disso, há a possibilidade de aumento do consumo de alimentos fora do lar, assim como acontece nos países desenvolvidos. Só para citar como exemplo, 40% dos brasileiros tomam café fora de casa, contra 70% do Reino Unido e 82% dos portugueses.

As redes especializadas em café faturam em torno de R$ 500 milhões no Brasil, pouco mais de 3% do mercado de alimentação do País e as cafeterias crescem 7% o ano, de acordo com a ECD Food Service em parceria com a ABF.

Para finalizar, a gigante europeia JAB Holdings, a maior empresa europeia de investimento, vai abrir um escritório na cidade de São Paulo em janeiro de 2019. A empresa tem US$ 110 bilhões investidos e empresas de consumo, tais como Panera Bread, Pret a Manger, Peet´s Coffee&Tea, Krispy Kreme Doughnuts, sem contar a participação na Coty Cosméticos.

Também é dona da Café Pilão no Brasil e a 2ª maior do mundo no segmento de café, com 12,7% de participação, só atrás da Nestlé, com 22%, segundo a Euromonitor.

Diante dessas informações, é fundamental observar os movimentos internacionais, a repercussão e as possibilidades futuras no Brasil.

Un buon caffè espresso! Salute! 

 

 

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