Por PAULO MATOS
Membro fundador do Portal NDEV Brasil
Especialista em Moda Internacional

Iniciando uma conversa sobre; “A Moda Internacional no Brasil”, sempre tendemos a falar de Players Globais que operam no Brasil, mas acredito que esse “bate-papo” precisa ser uma via de mão dupla, onde também poderíamos abordar sobre as marcas brasileiras que operam fora do Brasil.

Recentemente, saíram duas matérias em veículos de negócios no Brasil; uma abordando uma cadeia de restaurante muito bem estabelecida no Brasil e que teve que fechar sua filial em Miami, e outra uma marca de moda feminina que irá internacionalizar a sua marca, focando no mercado Americano.

Cada vez mais devemos nos atentar que a exportação e a internacionalização fazem parte do importante processo de expansão. Nas próximas oportunidades, vamos discorrer sobre o processo e os caminhos da internacionalização da Moda Brasileira.

De qualquer forma, a título de saudosismo, essa abordagem me fez lembrar de algumas reuniões que tive no meu emprego anterior, onde na posição de Diretor Comercial da América Latina, fazíamos reuniões entre os quatro diretores regionais com os diretores das áreas de Marketing, produto e o Industrial/Supply.

Nessas reuniões ficava muito claro sem as questões culturais e religiosas, na sua maioria os países, onde o consumo e o comércio são livres, as necessidades são sempre as mesmas.

A frequente frase nas reuniões, “no meu país é diferente”, onde na verdade não era!
O grande ponto era com qual posicionamento você introduziu a marca? Depois do lançamento, mudar a percepção da marca é muito difícil.
Voltaremos mais tarde neste assunto, visto que teremos outros players brasileiros que irão neste caminho, frente a uma economia interna restrita e um câmbio favorável à exportação.

A Moda Internacional; Os produtos importados são melhores?
Voltando ao assunto inicial, “A moda Internacional no Brasil”, discorrer sobre ele cria um dilema na minha cabeça. De um lado um senso nacionalista de ver nosso Brasil criar, inventar e inovar e do outro ser maduro pra enxergar que alguns países têm uma cultura e ambiente muito mais propício para essas ações e sim, reconhecer que em alguns casos o importado é melhor.

Quem viveu a abertura do mercado, propiciado pelo Ex-Presidente da República Federativa Brasileira, Fernando Collor de Mello, lembra do boom de mercadorias importadas em nosso mercado, e sua percepção de valor muito superior comparado a nacional em diversos segmentos.

Falando especificamente do mundo têxtil, me deparei com uma triste realidade no Brasil. Após a desvalorização cambial da nossa moeda em 2015 consegui a aprovação da Tommy Hilfiger Global de produzir no Brasil. Acreditei que havia encontrado a solução para reverter o meu problema. No entanto, criamos um grupo de supply, produto e negócios e lá fomos nós desbravar quais eram as melhores fábricas, como poderia ser esse processo, e etc. Um desafio muito interessante e motivador. Porém, não havia refletido sobre a dura realidade dos fabricantes brasileiros, que nos últimos 12 anos viveram um câmbio favorável à importação. Logo, todos os produtos de qualidade superior eram importados da China; salvo os calçados por uma medida protecionista do setor que taxa em cima de cada par de calçado manufaturado na China por USD 13,84. Os fabricantes locais ficavam com os pedidos das empresas “Fast Fashion” e lojas de departamentos onde a negociação espreme muito suas margens. Quando o câmbio voltou a ser favorável aos fornecedores locais, seu pátio fabril estava pouco atualizado.

E essa foi a triste realidade que encontrei, fábricas boas, organizadas e com equipes competentes, porém muito focada em produzir o que chamamos de básico. Muito jeans e camisetas. E respondendo à pergunta do título, sim a nossa economia e política, desencorajou o investimento no segmento têxtil no Brasil, a diferença de qualidade e hoje em dia a preocupação com o meio ambiente das marcas estão muito além do que encontramos no Brasil. Enfim, o quebra cabeça de conduzir uma marca internacional no Brasil continua sempre nos testando e nos colocando à prova.

PAULO MATOS
Membro fundador do Portal NDEV Brasil
Especialista em Moda Internacional

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Paulo Matos
Diretor da Tommy Hilfiger Brasil, Diretor Comercial da America Latina da “Levi’s Footwear & Accessories”, Gerente Comercial e de novos negócios da Lacoste. É graduado em Administração de Empresas pela PUC-SP, Pós-Graduado em Comércio Exterior de Vestuário pela Trevisan + ABIT, MBA de Branding pela Anhembi Morumbi e MBA de Varejo pela FIA USP/SP.

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